Ou então não. O Ronaldo é o menos culpado de tudo isto. Mas vamos esclarecer as coisas. Em quase 20 anos de treinador amador (futebol), tive a oportunidade de passar por quase todos os escalões de formação, em vários clubes da minha área de residência, sempre em forma de part-time, mas sempre com o máximo de "profissionalismo". Sinto-me por isso com algumas condições de emitir a minha opinião, baseada nestes anos de experiência. E quero falar acima de tudo deste futebol amador, sim, este que dá (é mesmo esta a palavra) os jogadores aos grande clubes portugueses. Cheguei então a uma conclusão: o maior problema da formação desportiva atual são os PAIS. Mas esta situação acentua-se mais no futebol. Por várias razões, mas acima de tudo por esta modalidade ter mais visibilidade mediática. Como devem calcular, ao longo destes anos, deparei-me com inúmeras situações de todo o tipo, com várias causas e consequências, por esses campos fora. A perceção que tenho hoje em dia é que os pais "aumentaram" nas bancadas. Há 20 anos não havia tantos pais a presenciar os treinos e os jogos, ou pelo menos não verbalizavam tanto. Hoje em dia, presenciamos de tudo. Pais a darem instruções para dentro do campo, pais a ofenderem os árbitros, pais a ofenderem os treinadores, pais a ofenderem os "miúdos" da equipa adversária e finalmente pais a ofenderem os pais da equipa adversária. Pior ainda, chegam mesmo a partir para a violência física. E tudo isto se passa a partir dos escalões de sub, 7, sub 8, sub 9, sub 10, sub 11, etc... Sim, estamos a falar de "míudos" de 8 e 9 anos de idade. E sim, isto acontece todos os fins de semana por esse país fora. E a pergunta de 1 milhão de dólares é... PORQUE é que isto acontece? Ora bem, é aqui que entra o título deste artigo de opinião. A culpa é do Ronaldo. Todos os pais querem que os filhos sejam o CRISTIANO RONALDO. Para quê? Como dizia um pai meio na brincadeira (mas falando muito a sério): " Eu não tenho plano B para a minha vida. Ou ele ganha muito dinheiro ou então estamos mal". E então vale tudo o que disse anteriormente. Esquecemos tudo o resto, os valores do desporto, da ética, da formação integral do futebolista mas acima de tudo, do Homem. Mas existem mais razões. Pais que nunca conseguiram chegar a um patamar desportivo razoável veem nos filhos uma forma de atenuar as suas frustrações desportivas e não só. Luís Castro (treinador do Desp. Chaves e que foi treinador da formação do FC Porto durante 7 anos) ainda deu outra justificação para este fenómeno: querem que o filho chegue a um patamar superior, para que o estatuto deles, pais, cresça dentro do grupo de "amigos" e no café que frequentam. Quando vão buscar os filhos aos treinos depois de um dia sem os ver, não perguntam como correu a escola mas sim, quantos golos marcou. E, no meio disto tudo estão os treinadores (amadores). Uns autênticos "Heróis" que, por meia dúzia de tostões, continuam a resistir, a sofrer humilhações, tentando contrariar os treinadores de bancada, por vezes ingloriamente. Pais, convençam-se de uma coisa: em jovens atletas com talento similar, quem vai singrar são os filhos dos pais que não sabem quantos golos o filho tem no campeonato. E quem perde no meio desta bagunça toda? As CRIANÇAS.
João Sousa
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