A sociedade atual está muito diferente daquela que existia há 30 anos. Esta é uma frase já um pouco gasta, até porque o mundo está sempre em mudança, mas aquilo a que me quero referir são as mudanças no estilo de vida da juventude. Principalmente no espírito de sacrifício, ou na falta dele, da juventude atual. E claro, o seu reflexo no futebol de formação e anos mais tarde no futebol sénior.
Quem contacta diariamente com os jovens nas escolas sabe perfeitamente o que vai encontrar nos escalões de formação. Hoje em dia o espírito de sacrifício dos jovens é praticamente zero. A lei do menor esforço impera, talvez o reflexo de uma sociedade totalmente informatizada, onde um simples clique faz com que tudo lhes venha parar à mão. Depois, tudo isto se reflete no dia a dia das aulas e dos treinos das modalidades que eles escolheram.
Que chatice ter que ir aos treinos, está frio, quer estar no "face", no "youtube" ou a jogar "on line" na "ps4". Hoje é dia de Ed. Física, tenho que levar o saco com o equipamento - "Hoje não faço". E pergunta o professor: Porquê? Resposta: "Esqueci-me da roupa", "Doi-me um pé", "Tenho atestado médico". Esta última desculpa está a tornar-se uma praga para os professores de Ed.Física. Chovem atestados médicos que os paizinhos pedem aos médicos para os filhos não fazerem aula. Atestados que dizem por exemplo "Não pode fazer atividade física até a dor passar". Boa!! Se a dor passar no fim do ano letivo ele não faz aula prática este ano. E muitos exemplos parecidos. Os alunos hoje em dia faltam à mínima dor. Dói um pé, doí a barriga, tem dor de cabeça, falta-se logo a escola, e já agora, aos treinos. Só vou ao treino senão tiver mais nada para fazer. E muitas vezes vou porque o meu pai obriga. Nas equipas séniores atuais, a geração abaixo dos 30 anos já pensa toda assim.
Claro que tudo isto se reflete na formação desportiva. A qualidade diminui, não há esforço para chegar aquela bola, não há esforço para "virar" um resultado negativo. A frase: "eles são melhores, não vale pena correr (jogar)", é a que mais se ouve. Durante a época, se estes jovens jogadores começam a verificar que a sua equipa é mais fraca e que não vão ganhar muitos jogos, querem logo mudar para a equipa onde estão os amigos que ganham tudo. Na formação de nível distrital os treinadores têm que andar a implorar que os meninos fiquem porque senão a equipa acaba. Senão jogo o treinador não presta. Ir aos treinos, fazer o saco do treino (quando não são as mães que os fazem), chegar a casa tarde. Hoje em dia quem fica no banco mais de um jogo já não quer treinar mais e quer mudar de clube. Dá muito trabalho lutar por um lugar!! Esta é a mentalidade dos jovens jogadores na formação de nível distrital. Já para não falar da influência dos pais (uma temática já abordada em artigos anteriores). Treinar a geração "youtube" dá muito trabalho!! Ah, e já agora, no mercado de trabalho imagino que comece a ficar igual.

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