Quando José Mourinho chegou ao Benfica, pelas mãos de Vale e Azevedo, era um ilustre desconhecido para a grande maioria dos adeptos do Futebol. Longe de se pensar que era o princípio da grande revolução da carreira de treinadores em Portugal. Qual 25 de Abril do treinador português. Até aí, basicamente os treinadores eram os antigos jogadores já reformados que enveredavam por essa carreira. José Mourinho era a antítese de tudo isso. Não tinha sido um jogador de clube grande e era dos primeiros treinadores que chegavam das universidades. Sim, já existiam, Carlos Queiróz, Jesualdo Ferreira e Nelo Vingada, mas Mourinho trazia algo novo: para além de revolucionar o treino, trouxe carisma, liderança e paixão pelo jogo, que transmitia como ninguém aos seus jogadores. Estes "morriam" em campo por ele".
A partir desse momento o processo de treino mudou completamente e começaram a surgir "clones" de Mourinho por todo o lado. Uns com mais sucesso que outros. Mas os resultados dos clubes portugueses na Europa apareceram e a ascensão do treinador português também está a vista de todos.
Mas começou uma "guerra" entre os treinadores. Duas fações distintas começaram a atacar-se entre si. A escola José Mourinho (vinda da Faculdade) e os da velha guarda (ex jogadores de equipas grandes). Quem é melhor ou pior fica ao vosso critério. Talvez um misto seria o ideal.
Por vezes fico incrédulo com as escolhas para treinador de grandes equipas europeias ou da Liga Portuguesa. Bem recentemente, podemos falar de Montella no Sevilha ou Gattuso no Milan (correndo o risco de me enganar). Os equívocos no Borussia de Dortmund. Nos últimos 2/3 anos o desfile de treinadores no Inter de Milão, até acertarem recentemente. Em Portugal, temos no ano transato a escolha de um treinador brasileiro no Marítimo que tinha tudo para dar errado com veio a acontecer. Sabemos porém que nos clubes que não abundam em dinheiro, por vezes quem manda são os empresários, que em troca da colocação de jogadores a custo zero exigem a escolha dos (seus)treinadores. Talvez uma das razões dos erros descritos anteriormente.
Os clubes portugueses têm dificuldade em apostar nos jovens treinadores que andam pelos escalões inferiores, embora esta situação esteja a mudar aos poucos. Veja-se a aposta em Daniel Ramos no Marítimo, Nuno Manta Santos no Feirense. Luís Castro (embora mais velho) que andava na formação do FC Porto/equipa B, fez grande trabalho no Rio ave e este ano no Desp.Chaves, Abel Ferreira no Braga estava também na Equipa B. Miguel Cardoso no Rio Ave foi adjunto de Paulo Fonseca (outro grande treinador) no Shakhtar Donetsk. Podemos falar também em Rui Vitória no Benfica e Marco Silva no Sporting.
Lá por fora, Inglaterra (e não só) está a descobrir o treinador português. Para além de José Mourinho, temos Marco Silva e Carlos Carvalhal na Premier League. Nuno Espírito Santo está a liderar o Championship. Em França, Leonardo Jardim foi campeão em contra o milionário PSG. Enfim, são inúmeros os exemplos. Pensem no antes e no pós José Mourinho e tirem as vossas conclusões. E sim, podemos falar no 25 de Abril do treinador português!!
João Sousa

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